Como sabem, do dia 12 ao
22 de 2010 realizou-se em São Paulo a 21ª Bienal Internacional do Livro. O evento contou com centenas de expositores, dentre eles o Sebo do Messias, a Saraiva, a Abril, a Solisluna, além dos stands que faziam parte da programação cultural, o Espaço Submarino, com novidades técnológicas muito bacanas, a Biblioteca do Bebê, para incentivar as crianças a ler desde pequenas, Exposição Monteiro Lobato, com toda a vida e obra do autor, Cozinhando com Palavras, que reuniu muitos chefes importantes da gastronomia brasileira, Palco Literário, com apresentações musicais e teatrais apresentadas por atores renomados, Território Livre, com palestras e debates com jornalistas, humoristas, escitores, o Salão de Ideias, também com escritoes, que este ano foi tematizado com Clarice Lispector, dentre outros espaços tão interessantes quanto.
Mas falemos do Salão de Ideias. Dentre os muitos nomes que estiveram lá, espaço contou com Ziraldo, Maurício de Sousa e Rubem Alves, o cineasta José Mojica Marins, o autor de O Império Contra-Ataca, Conn Iggulden, Menino do Pijama Listrado, John Boyne e, o que me levou até lá, do Mundo de Sofia, Jostein Gaarder.
Autor de muitos livros famosos como o Dia do Curinga, A Garota das Laranjas e Através do Espelho, o norueguês veio ao Brasil para falar sobre seu último livro, o Castelo nos Pirineus. E eu claro, comprei. E levei para autografar. Yessss.
Caham, continuando, depois de uma fila enorme para pegar uma senha uma hora antes (pois no espaço só podiam entrar 150 pessoas) e mais uma fila para entrar, entrou no salão um senhor muito simpático com um inglês cheio de sotaque. Eu pude sentar bem perto dele. Durante o bate-papo com a plateia, uma pergunta me intrigou (era a que eu pretendia fazer), sobre se ele acredita em Deus. E a resposta dele foi aquilo que eu esperava. "Tenho meu próprio credo. Penso que o mundo e o universo não são uma coincidência. Há uma intenção. Não creio em uma revelação. Para mim o próprio mundo é a revelação." respondeu ele.
Dentro desse assunto, ele falou então do seu novo livro, o qual se trata de uma conversa entre um casal de
ex namorados, onde ele é totalmente cético e ela, crente, mística e tals. O livro entrou para os meus favoritos, sem questão de dúvida. Não posso explicar como fiquei ao ler a última página. Simplesmente eu recomendo. Até comprei para dois amigos, só que está demorando a chegar. Para que saibam melhor do que se trata...
Sinopse
Por cinco anos intensos na década de 1970, Steinn e Solrunn foram felizes. Então tomaram rumos
diversos, por razões desconhecidas a ambos. No verão de 2007, depois de trinta anos distantes, eles se encontram por acaso no terraço de um velho hotel de madeira às margens de um fiorde no oeste da Noruega, um lugar intimamente relacionado à separação no passado. Mas terá sido esse encontro, em lugar tão significativo, um mero acaso?
Buscando respostas a essa pergunta, e para entender como um relacionamento que prometia ser duradouro pôde acabar subitamente, o ex-casal começa uma frenética troca de e-mails - a matéria e a forma deste novo romance filosófico de Jostein Gaarder, que desta vez conta uma história de amor para discutir o embate entre o racionalismo e a espiritualidade. Na linguagem dessas missivas apressadas que inundam nossa vida cotidiana, os dois esboçam visões de mundo antagônicas e explicações contraditórias para o fim do romance. De um lado, o climatologista Steinn apenas crê no que pode ser provado pela ciência e pela razão. De outro, Solrunn, uma mulher religiosa, acredita na transcendência, em um espírito além do corpo e de nossa existência terrena. Disso resulta que as experiências compartilhadas pelos dois no hotel no litoral (a de trinta antes e a do verão corrente) serão entendidas de modo muito distinto por cada um. Apesar de se respeitarem, eles não podem concordar com a concepção do outro - até que suas certezas sejam postas à prova.
Por Companhia das Letras
Na entrevista que deu à Radio Boa Nova, Gaarder responde:
Terminada a leitura de O Castelo nos Pirineus, é possível concluir que você acredita em histórias de amor?
Sim, com certeza, o amor caminha paralelo ao ocultismo no romance. Mas devo acrescentar que não acredito em histórias amorosas que brotam espontaneamente: é como uma amizade, que se constrói, que se molda com o passar do tempo. Tomo a relação com minha mulher como exemplo, pois nos conhecemos jovens (eu tinha 19 anos) e, desde então, vivemos juntos. Talvez por isso eu acredite em histórias de amor.
Então, caros leitores,
enjoy it.